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NOSSA CIDADE / Nossa cidade
 
Retratando a nossa história
   

Retratando a nossa história

Por: Jornalista JaneteSouza

Quando recebi essa pauta, em que eu teria que fazer um resgate histórico do Município de Campina da Lagoa, no início confesso que fiquei um pouco confusa com tantas idéias. Logo depois, fui montando meu próprio roteiro. Já que estava atrás de boas historias, tive a oportunidade de conhecer e ouvir alguns pioneiros que me enriqueceram com tantas informações, não gostaria, mas tive que filtrar para a conclusão desse material.

Já que a reportagem começa com uma única pergunta: Como surgiu o município e sua emancipação política? Fui até a residência do maior historiador de Campina da Lagoa, muitos nem sabem e eu também não sabia a infinidade de documentos e objetos que o Sr. Pedro Altoé, de 79 anos arquiva em sua garagem, e em mais três cômodos de sua casa, certamente daria para montar um museu histórico retratando essa fantástica historia.

 Dados históricos, feito através de entrevistas e pesquisas.

O território onde está localizado o município de Capina da Lagoa eram compreendidas por uma imensa floresta e nestas terras viveram diversos povos indígenas a base de caça, pesca coleta de frutas, plantas e raízes e de uma agricultura rudimentar. A presença dos povos indígenas que habitavam toda a região é marcada por registros e documentos históricos.

 A fama do município de Campina da Lagoa, já era grande, desde os tempos de 1.940, pois a 5 de dezembro desse mesmo ano, partiram de Campo Mourão a procura de Campina Vitoriana, é isso mesmo nosso município iria se chamar assim. Os dois pioneiros, Joaquim Carula e Salvador Ananias, partiram ao amanhecer, e desde então passaram a enfrentar grandes perigos e toda sorte de obstáculos. Sete dias depois da partida, ou mais precisamente, no dia 12 de dezembro, Joaquim Carula e Salvador Ananias, conseguiram chegar até Mamborê, depois de inúmeros incidentes e aventuras, os dois amigos tinham intenção de prosseguir viagem, mas não encontraram naquela região alimentos e munições que esperavam encontrar, a falta dos mesmos impossibilitou de concretizarem seus planos.

 Devido a essas privações, e não havendo possibilidades de se abastecerem por ali, tiveram que retornar a Campo Mourão para adquirirem os alimentos e ferramentas que necessitavam.

Dias depois os dois pioneiros, retornaram a Mamborê, e dali até o local denominado “Gavião”, a partir de onde tiveram que iniciar a árdua tarefa de abrir caminho a facão e foice em plena à mata virgem e fechada. Só assim seus cargueiros, carregados com seus equipamentos e alimentos podiam avançar, nessa primeira tentativa colonizadora da Campina Vitoriana.

Assim foram transcorrendo os dias, e cada dia que passava, mas um pedaço de sertão era conquistado, mas centenas de metros eram percorridos. Já exaustos os pioneiros resolveram acampar, numa localidade que ainda hoje é conhecida por “Acampamento”, nesse local dava a impressão de ter sido já um acampamento, junto a região conhecida como “Três águas”. Hoje através de pesquisas e estudos sabemos que o local denominado “Acampamento”, foi povoado pelos os Paraguaios, nessa região os Paraguaios faziam extração de Erva mate, que na época era a planta nativa em toda essa região. Realmente foram encontrados fornos para a queima desse produto, os mesmos estavam bem estragados pelo o tempo e abandono em que ficaram todos esses anos. Além desses fornos nessa mesma localidade, foram encontrados outros vestígios que testemunham a presença dos paraguaios em nossa região, como; aros de rodas de charretes, facões já quase decompostos pela oxidação, cano de arma de fogo, do tipo bacamarte. Essas peças ainda hoje existem, e estão guardadas por munícipes que ainda reside no município, que receberam dos antepassados, que os descobriram.

Os nossos pioneiros resolveram armar um longo acampamento  nessa região das “Três Águas”, e ali se fixaram. Nessa localidade demoraram - se bastante, limparam uma boa área para a morada e para abrigo dos animais que traziam, fizeram uma pequena roça e nas horas vagas, exploravam os arredores, e numa dessas explorações, exatamente no dia 19 de abril de 1941, centro e trinta dias após a primeira partida de Campo Mourão, Joaquim Carula e Salvador Ananias, chegaram pela primeira vez numa região plana, numa Campina, no alto de um planalto, onde durante as suas explorações eles encontraram três lagoas, e deram a esse local tão agradável o belo nome de “Campina das três Lagoas” que mais tarde passaria a ser conhecida simplesmente pelo nome de Campina da Lagoa.

 Nesse ano os pioneiros foram até Campo mourão e procuraram o escritório do Departamento de Terras e Colonização do Estado, o titulo de posse da terra desbravada.

Em meados de 1942, um ano e meio após a partida dos pioneiros, outras famílias vieram se juntar a eles, o local começou a se transformar num núcleo de colonização. Em 1943, Miguel Antonio Freire, conhecido com “Graia” auxiliado pelo seu irmão, ergueu próximo ao local onde hoje é a Praça João XXIII, uma Capela feita de pau lascado e de palmito, dando assim com esse seu gesto, o primeiro amparo espiritual ao povoado que se formava.

Em 1947, mas um acampamento surgia com uma pequena povoação, as margens da água da Herveira, seu fundador conhecido como “velho” Gravid denominou como “Acampamento das Herveiras, nome sugerido pela grande quantidade de Erva Mate, nativa, ali existente.

Em 1948, mas 25 famílias vindas de santa Catarina acompanha por Bortolo Maccagnam, fixam a alguns quilômetros distante da localidade fundada pelo “Velho” Gravid, e ali organizam uma nova colônia que recebeu o nome de Colônia  Maccagnam. Essa colônia logo começa a prosperar, os colonos constroem além de suas moradias, um pequeno moinho, uma capela e abrem a mata para retirarem suas safras e outras melhorias para o bem estar da comunidade.

Em 1950, já estavam morando diversas famílias nessas colônias, o povoado aumentava cada vez mais e, outras áreas estavam sendo desbravadas e cultivadas.

A História nos diz que os anos de 1951 e 52 são dois anos marcantes para o desenvolvimento de Campina da Lagoa, nesses anos estima – se que aproximadamente duzentos e cinquenta  famílias vieram morar aqui, nomes que iriam entrar para a historia do município como; O Coronel Amaro Vaz da Silveira, Amaro Silveira Junior, Felipe Lopes Silveira, Antonio e Joaquim de Farias, Miro Araujo, Joaquim Lins, Ladislau Inkot ( vadi), Tadeu Coco Denis, Antonio Chiqueto,  Família Pianaro, Vianes, João Seichas, Família Passos, Família Menta, Família Saraiva, Eugênio Malmestron.

Nesses anos começam aparecer algumas melhorias que iria beneficiar a comunidade, surge então à primeira linha de transporte coletivo, um caminhão Ford – 46, o proprietário era Ladislau Inkot e o motorista Tadeu Coco Denis, o caminhão fazia a linha Campina da Lagoa a Campo Mourão, mas tarde o empresário compra o primeiro ônibus do Expresso Nordeste, mas já em 1954 a Colônia ganha uma linha de ônibus regular, o Expresso do Campo começa a fazer o trecho uma vez por semana. Nesse ano surge a primeira barbearia, Escola primaria que funcionava na “capelinha”, com duas professoras, Lidia Menta e Valério Pianaro, Serraria os ranchos são transformados em casas de madeiras, Vianes inaugura o primeiro Armazém, mas logo depois surgem mais dois estabelecimentos   de secos e molhados. Era o processo, pois a povoação já comportava três Armazéns, comércios do mesmo ramo. A migração para as Colônias não paravam, todos queriam usufruir do nosso solo fértil. O prefeito de Campo Mourão, Dr. Daniel Portela, foi até o Departamento de Terras e Colonização, pedir para um funcionário daquele departamento, o mesmo veio até aqui fazer oficialmente o primeiro levantamento e reconhecimento de “posses”. Logo após José Fernandes e José Saraiva iniciaram por ordem daquele órgão público, a medição de terras na região, que passou a se chamar oficialmente como Colônia Cantú. 

 Podemos dizer que a partir daí, Campina da Lagoa  começa sua evolução política, pois com o reconhecimento oficial da Colônia  Cantú, os moradores movimentaram – se pela primeira vez, numa reivindicação de caráter político. Comissões foram organizadas e surge um abaixo – assinado contendo centenas de assinaturas, vão a Campo Mourão, reivindicar a abertura oficial do Patrimônio, traçado da cidade com trinta quadras, num total de aproximadamente de 300 “datas”. Reivindicaram também o reconhecimento da povoação como Distrito Administrativo, e que finalmente a denominação não fosse à de Colônia Cantú, mas sim aquela denominação já consagrada pelo povo, e pela qual era conhecida Campina da Lagoa. Com essas reivindicações começam as aberturas de ruas e quadras para a formação da cidade. Foram surgindo mais empresas como; Agrícolas, casa de secos, molhados e tecidos.

No dia 30 de maio de 1955, mas uma conquista adquirida pela reivindicação da população Campinalogoana é sancionada a Lei para criação do município de Campina da Lagoa pelo o presidente da Câmara Municipal de Campo Mourão, vereador Manoel de Jesus Pereira. O projeto de Lei 334/55, de autoria do Deputado Estadual Pedro Liberty, pedindo a criação do município de Campina da Lagoa, foi arquivado e não aprovado na época.

Em 16 de novembro de 1955, o Governador Interino do Estado do Paraná, Manoel de Oliveira Franco, cria uma Exatoria de 4 Classe e Campina da Lagoa passa a ter funcionário do estado na cidade.

No período de 1955 a 1959, Roberto Brzezinki, passa a ser prefeito de Campo Mourão, e com ele Campina da lagoa, agora como distrito administrativo ela passa a receber uma seria de benefícios.

Nesse período é instalado a Coletoria de Rendas Estaduais, Cartório de Registro Civil, Sub – Delegacia de Policia, Escritório de Contabilidade primaria, três Serrarias, duas Olarias, dois Engenho de Beneficiamento de Arroz e dois de Trigo, três Tafonas de Farinha de Mandioca, Igrejas; Presbiteriana independente, Assembleia de Deus, Cristã do Brasil e a Católica Santa Terezinha. Na área da saúde o Distrito já não dependia totalmente de assistência médica de Campo Mourão, um pequeno Hospital funcionava com dois médicos, três Farmácias, dois Gabinetes Dentários. No ensino começa a construção da Casa Escolar essa mais tarde receberá o nome de Grupo Escolar Roberto Brzezinski, em homenagem ao mesmo que muito fez por Campina da Lagoa.

 É designada por portaria a primeira diretora de ensino do município Izaura Berton Fenianos.

A vida social do Distrito já pode ser considerada intensa, o Clube XV de Novembro, que além de campo de futebol, mantém uma Sede Social, onde são promovidos jogos, recreações e bailes. As datas cívicas ou festivas são comemoradas por toda a população, e as escolas promovem desfiles comemorativos. O Distrito foi beneficiado também com a instalação de um cinema, mais uma opção de cultura e lazer para a população.

  Os Políticos da época se reuniam constantemente, sempre discutindo o futuro do Distrito ou propondo novas reivindicações, e ansiosos para que o mesmo vire município logo.

Finalmente depois de muitas viagens a Campo Mourão e a Capital do Estado, Curitiba, consegue – se que o projeto do deputado Pedro Liberty, seja incluído desta vez num projeto único, que tem como finalidade criar cerca de 59 novos Municípios no Estado e Campina da Lagoa é incluída no referido projeto.  

No dia 25 de julho de 1960, o projeto é encaminhado ao governador do Estado Lupion para ser sancionado. Os grupos políticos da época ficaram eufóricos, e na medida em que o projeto de criação do município tramitava na Assembleia Legislativa, os políticos tratavam de se organizar partidariamente.

Os três primeiros partidos que surgiram na época foram;             PDC (Partido Democrático Cristão), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e UDN (União Democrática Nacional). Os lideres políticos da época vão angariando correligionários e simpatizantes, a fim de se organizarem para a primeira campanha política que está por vir.

Campina da Lagoa começou a ser notada no mundo dos políticos do estado. Muitos candidatos a Deputados e a Governador  do estado aqui vieram antes mesmo da criação do município, afim de assegurarem prestigio político da sua representatividade e entrar para a historia como; Dr. Armando Queiroz, Ney  Braga, Paulo Pimentel, Acioli Filho, Paulo Polli, Scorsin e outros.

Chega o dia tão esperado pelos os pioneiros, no dia 25 de julho de 1960 foi assinada a Lei 4245, que criava o Município de Campina da Lagoa, os partidos Políticos existentes procuraram formar suas chapas e iniciaram suas campanhas. Em 08 de outubro de 1961, aconteceu a eleição que elegeu o primeiro prefeito e a primeira Câmara de Vereadores de Campina da Lagoa. Os mesmos só foram  proclamados eleitos no dia 03 de novembro do mesmo ano, Campina da Lagoa, passou por um período de transição em que não era nem Distrito, e nem Município. Nesse período, assumiu, por determinação das autoridades da época, o Governo local João Fenianos, que historicamente é considerado o primeiro prefeito do Município.

Fonte: Jornalista Janete Souza / Assessoria de Imprensa 

 
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